Infiltração em concreto é a passagem de água ou umidade através de poros, fissuras, juntas mal vedadas ou falhas de concretagem, e seu tratamento definitivo exige atuar na origem do fluxo — em geral por injeção de resinas — e não apenas na superfície. Este guia é voltado a estruturas de concreto como barragens, usinas hidrelétricas (UHE e PCH), mineradoras, indústrias, túneis e galerias — ambientes em que a infiltração não é questão estética: ela corrói a armadura, lixivia o concreto e representa risco operacional e de segurança.
Tratar a mancha de umidade na superfície sem eliminar o caminho da água é o erro mais comum — o fluxo reaparece. A seguir, as causas da infiltração em concreto, onde ela ocorre nessas estruturas e como resolvê-la de forma duradoura.
Causas da infiltração em concreto
Fissuras e trincas
Fissuras que atravessam o elemento são o caminho mais direto para a água, sobretudo quando ativas (em movimentação). Por isso, reparar fissuras é parte central do controle de infiltração.
Juntas de concretagem e de dilatação
As interfaces entre concretagens e as juntas de movimentação são pontos naturalmente vulneráveis, onde a estanqueidade falha com o tempo e a movimentação da estrutura.
Porosidade e falhas de concretagem
Ninhos de concretagem (“bicheiras”), segregação e adensamento deficiente deixam vazios que funcionam como rota de percolação.
Pressão hidrostática
Em estruturas hidráulicas e enterradas, a água sob pressão encontra e amplia qualquer caminho preferencial, tornando a infiltração progressiva.
Falha ou ausência de impermeabilização
Sistemas de impermeabilização ausentes, mal especificados ou deteriorados deixam o concreto exposto à água, antecipando a infiltração.
Onde a infiltração ocorre em barragens, usinas e estruturas industriais
Nessas estruturas, a infiltração se concentra nos pontos de contato com a água e de maior movimentação: galerias de drenagem, vertedouros, tomadas d’água, casas de força, túneis, reservatórios e juntas de estruturas hidráulicas. Nesses ambientes, há quase sempre fluxo de água ativo e sob pressão, o que muda a estratégia de tratamento em relação a uma simples umidade superficial.
Aplicações: setores em que a Montante trata infiltração em concreto
O tratamento de infiltração em concreto se aplica, entre outros, a:
- Barragens e hidrelétricas (UHE e PCH): galerias de drenagem, vertedouros, tomadas d’água e casas de força;
- Mineração: barragens de rejeito, galerias e estruturas de concreto em plantas de beneficiamento;
- Túneis e galerias sob pressão hidrostática;
- Reservatórios e estações de tratamento (ETA/ETE);
- Indústrias com estruturas de concreto sujeitas a água e umidade.
São ambientes em que a infiltração se combina com fluxo de água ativo e exigência de operação contínua — contexto em que a injeção de resinas se destaca.
Por que a infiltração em estrutura crítica é grave
A água que infiltra carrega oxigênio e agentes agressivos até a armadura, iniciando a corrosão do aço, que expande e fissura o concreto de cobrimento — um ciclo que se realimenta. Em paralelo, a percolação lixivia o concreto, removendo compostos e enfraquecendo o material. A NBR 6118:2023 trata a durabilidade e a proteção da armadura justamente em função da agressividade do ambiente. Em barragens e usinas, soma-se a dimensão de segurança operacional: uma infiltração não controlada em galeria ou fundação pode evoluir para um problema estrutural.
Como resolver infiltração em concreto: injeção e impermeabilização
A solução definitiva trata a origem do fluxo por dentro da estrutura, por injeção, e protege a superfície por impermeabilização — escolhidas conforme há ou não água ativa. A decisão técnica:
| Condição encontrada | Solução indicada |
| Fluxo de água ativo (jorro/pressão) | Espuma de poliuretano para estancar + gel de poliuretano para selar |
| Fissura ativa com infiltração | Injeção de poliuretano flexível |
| Fissura capilar em ambiente úmido | Injeção de gel acrílico |
| Proteção de superfície / prevenção | Impermeabilização |
O ponto central: contra fluxo de água ativo, a injeção de poliuretano hidrorreativo é a técnica indicada — a espuma estanca o fluxo imediatamente e o gel garante o selamento permanente. A impermeabilização protege e previne, mas, sozinha, não interrompe um vazamento sob pressão. Por isso, em grandes estruturas, injeção e impermeabilização costumam ser complementares, dentro de um plano de recuperação e proteção estrutural.
Conclusão
Em barragens, usinas, mineradoras e estruturas industriais, a infiltração em concreto nunca é só a mancha visível na superfície — é o sinal de um caminho de água que, se não for eliminado na origem, corrói a armadura, lixivia o concreto e evolui para risco estrutural e operacional. Por isso, a solução definitiva trata o problema por dentro: contra fluxo de água ativo, a injeção de poliuretano (espuma para estancar, gel para selar) é a técnica indicada, enquanto a impermeabilização protege a superfície e previne — funções complementares, não substitutas.
O ponto de partida, em qualquer caso, é o diagnóstico: identificar a origem do fluxo, verificar se há água ativa e avaliar a condição das fissuras e juntas. É esse diagnóstico que define a resina e a sequência corretas — e o que separa uma vedação duradoura de um reparo que reaparece na próxima estação de chuvas.
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